segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Dizer Impropérios na Alma

Impropérios. Sei o uso desta palavra. Ela não tem muita ligação com impróprio. Mas estão ambas numa mesma relação de significados. Tanto é verdade que 'dizer coisas impróprias' e 'dizer impropérios' tem "quase" o mesmo sentido, ainda que bem diferentes. Para mim e para o dicionário, a segunda é mais forte. Olha só a definição de 'impropério':

1. ação, postura ou discurso ofensivo e afrontoso destinado a ofender alguém;

2. Ação censurável, ato detestável ou repreensão injuriosa; ofensa ou afronta;

Logo se vê. Dizer impropérios é bem mais do que dizer coisas impróprias, como por exemplo, dentro do elevador "fui peidar agora, mas acho que caguei".

Nesta mesma linha de palavras, o salto para quem estuda, dizem, que sai de 15 mil vocábulos aprendidos até os 18 anos para 140 mil aos 40 anos para quem fez doutorado. Li estes dados nem me lembro onde. Mas há lógica.

Concluí que especializar-se é apenas aprender conceitos mais específicos através de palavras, porque ajuda a mente humana a traduzir a verdade de forma mais clara possível, deixando a visão da alma mais conscientemente aberta ao que o mundo pode ser.

Aliás, quando ouço impropérios contra mim, eu me oprimo internamente. Não me vitimizo, porém. E respondo à altura. A explicação vem do que o mundo realmente é para mim. Queremos saber o que o mundo realmente é, certo? O ato de dizer impropérios é encher a alma do outro com palavras agressivas que não são reais. A finalidade é apenas de machucar, ferir, destruir, humilhar, desmotivar, acabar o máximo possível com o outro para a vida e para o mundo. Acho injusto e retruco para o bem do outro. Paradoxal, né? Mas imagine que o silêncio machuca muito mais.

Raramente uso de impropérios. Já o fiz. Inclusive recentemente com alguém que me fez ultrapassar meus limites. Podem exigir do homem a calma que for. A verdade é que vivemos de limites. Ainda mais eu que reprimo as ofensas e os impropérios sobre mim, porque sei que ofender ajuda a acalmar as pessoas. Sim, os impropérios vem de quem geralmente nos ama e criou um 'ódio patológico'. Precisa nos acusar e xingar para ter paz. Me xingar eu deixo ad nauseum. O problema é arrancar a alma para que o outro sofra. Ninguém tem este direito. Querer deixar o outro na merda é apenas ódio patológico. Uma doença.

Quanta energia gasta sem volta. Quantos dias para solucionar algo que não tem mais solução porque acabou há muito tempo. Não adianta deixar o 'ódio patológico' dominar e fazer moradia. O que era para durar no máximo um ano, vai se alastrando para mais tempo até certo limite impossível de ultrapassar.

Quando termina algo compartilhado, aquele que mais perde é quem quer ter tudo, chantagia e deixa o outro pior, enchendo a alma dele de impropérios, vitimizando-se no olhar, no rosto, nas palavras para o mundo. A cena será algo triste no futuro. Quando aprendi a definição de 'ódio patológico' aprendi nossas escolhas erradas. Em ambos os lados. Mas do erro também aprendemos histórias. E mais entendimento. Eu demoro para aprender porque escolho insistir. Mas aprendo com segurança porque as palavras existem para traduzir. O bom termômetro de viver bem é respirar em paz. Tenho vontade enorme de estar ao lado de alguém que me complete com palavras. Ainda assim prefiro a solidão a um silêncio profundo compartilhado ou a uma tagarelice que nada traduz. Ao cabo, me distanciarei e lá virão mais impropérios.

Eu não desisto nunca, na verdade. Me sinto bem quando desistam de mim. Me deixam em paz. Posso pegar minha liberdade. O único problema são os impropérios. Eita palavra bacana de refletir. Como é bom refletir.

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