domingo, 13 de setembro de 2015

Nosso Inconsciente

1991. Primeiros dias no 1° Ano do colegial. Estudava em São Miguel. Tinha 16 anos então. Faria 17 em maio. Dois anos trasados. Fiz supletivo da 5° à 8°. De algum modo, me eu compensaria posteriormente.

Nesta época, um canção não saía de minha cabeça. Era a mesma que meu filho Pedro, 12 anos, ouvia ano quarto, desenhando. A canção é "Patience" dos Guns and Roses. Muitos a conhecem, ainda que poucos tenham vivido o auge da banda.

Há um assovio inicial. Eu fiquei marcado por duas amigas orientais, a Lucia e a Regina, porque distraidamente eu assoviava esta melodia. Insegurança? Medo? Solidão? Distanciamento?

Tivesse a consciência que tenho hoje, eu saberia que era meu ato falho, ou seja, um mecanismo inconsciente para distrair pensamentos que eu queria que ninguém percebesse.

Os atos falhos possuem basicamente dois propósitos contrários: tentar esconder ou tentar revelar. A todo momento manifestamos atos falhos.

Percepção é algo parecido. Ler as intenções indiretas também. Intuição é a maturidade do ato falho. Sou fã dos livros "Por que mentimos?" Oras, se não for doença a mentira - anormalidade -, mentimos porque muitas vezes queremos que as pessoas descubram nossas verdades inconscientes. Acabei de falar dos atos falhos, desta tentativa de comunicação do inconsciente.

Portanto, refiro-me à mentira da ajuda, do socorro, do desespero, da leitura ao contrário. O livro a que me refiro é leitura obrigatória para todos que vivem de vendas. Não para mentir. Para ler os mecanismos de mentira (atos falhos) de quem quer comprar.

Qual, então, era o ato falho que em 1991, eu queria esconder dos outros alunos? Em resumo: o desconforto de não me sentir igual a eles. Eu havia feito supletivo (em seis meses como fosse um ano) da quinta série à oitava, como disse Sentia-me velho aos 17 anos. Outros problemas pessoais que, aliás, já narrei em meu segundo livro.

O bacana de saber onde e como caminha seu inconsciente, mora no conforto daquilo que você realmente busca no mundo como propósito de vida. Ah, propósito de vida! Quem não o tem? No ápice de minha incompetência para ser aluno de escola pública (repeti quatro vezes), tive ainda tempo e a misericórdia de adquirir vocabulário e estilo para escrever. Meu propósito totalmente consciente para escrever. Claro, as palavras serão lidas, julgadas, admiradas e condenadas até. Só que o autor vai junto. Um erro.

Seria verdade confundir o autor com o que ele escreve se fossem atos falhos seus textos. A grande maioria, que tem consciência, porém, não é ingênua para escancarar de modo inocente sua alma sem saber por onde e como anda seu inconsciente. No momento da canção "Paciente", eu voltei 24 anos. A sensação inteirinha em meu coração. Foi bom. Muito bom. Existe um turning-point sobre o qual eu já escrevi... Já escrevi, mas que Jung e nem Freud captariam agora. Por quê? Ah, eu sou danado quando tentam invadir a minha alma. Não permito.

Permito revelar o que vale. Vale muito olhar para seus atos falhos e admitir que os tem. Quem tem não percebe. Pode perceber. E se perceber terá um alívio, uma epifania enorme. Bons. Muito bons atos falhos.

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