Tenho saudades suas. Muitas saudades. Penso em você a cada instante. Eu a carrego para onde quer que eu vá.
Ainda mais agora que me parece tão distante nosso encontro, ou reencontro, nosso apego e este desapego.
Pego-me nos pequenos detalhes do que poderia ou deveria ter feito ou dito. Quando estou sozinho converso comigo mesmo sobre nós.
Uma atitude, uma palavra ajudam a mudar, ou mudam tudo. Da mesma forma a ausência. A ausência tanto da atitude quanto da palavra. As recordações do pouco que fomos me trazem a lembrança do que eu não sou agora e provavelmente nunca serei no futuro. Talvez sejamos.
Quem ler esta carta vai arrancar dela todas as suposições. O leitor, porém, será dono exclusivo. Nem tão exclusivo. É justo cada qual fazer do que lê suas mais íntimas verdades, ou melhor, realidades, porque estas são nossos conjuntos de verdades.
Podemos mentir para os outros, para nós, para nosso passado, presente ou futuro. Mentir torna até saudável a dor do que deveríamos ser e não somos. Eu queria ser com você. De verdade...
Eu queria trazer à mente porque é bom. Levar o que é bom à mente das pessoas.
Escrever refletindo sobre o que existiu e possivelmente não mais existirá incomoda bastante, uma vez que vivemos o presente.
Antes de me calar e sofrer, eu amo poder escrever. Ter esta liberdade de ajeitar externamente o que internamente existe: ideia, sentimentos e sensações.
Escrever, porém, me condena porque me condenam sempre. Meu combustível é o amor. Este o motivo, me condemam.
Nunca me apego no fim. Apego-me no recomeço. O recomeço é uma espera. Nosso presente é uma espera. Se digo que não espero, eu minto. Se digo que espero como recomeço, eu minto. Se digo que espero na certeza, eu minto. Se digo que perco as esperanças, eu também minto. Mas gosto da verdade. Ela nos faz desviar pouco na espera, ainda que a saudade aperte.
Tenho certeza da aventura de que tudo se tornará possível ao justificar tanto as realizações quanto as desilusões. Sem estas, aquelas seriam mimadas. A desilusão freia. Mas com sabedoria, impulsiona o seu importante momento.
Não me iludi. Nem você se iludiu. Não nos iludimos. Sentimos verdades porque foram nossas realidades. Daí a saudade.
Mas digo lá. Tenho saudades suas. Terei ainda por um tempo. Nada impede de que ao tempo estas saudades, que me distraem do mundo, desaguam em meu próprio mundo sem ilusão e me tornem uma pessoa realizada com você. Para isto, só tenho por hora as palavras escritas. Tudo tão intenso. Mas tudo tão estranhamente prazeroso. Um prazer por poder ainda ser e estar. A saudade permanece. Um elogio e agradecimento. Ao final, quero agradecer e elogiar. Você...
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