Mulheres, muitas delas, precisam de defesas emocionais para não explodirem. Se eu as compreendo? Mais do que compreensão. Certa vez, insinuaram ao Machado de Assis uma certa ingenuidade a respeito das mulheres. Ele, dedo em riste, para o alto, sacramentou:
- Tudo neste mundo. Menos ingênuo. Jamais ingênuo.
Roubo-lhe as palavras. "Jamais ingênuo!" Mesmo assim, em menos de duas semanas, meia dúzia de mulheres me aconselharam a ir à terapia para tratamento em função de minha 'volubilidade' (nenhuma delas usou este termo). Em comum: todas gostam ou gostaram de mim; em comum, não tenho muita paciência para algumas coisas e nem quero ter para o que me incomoda. Quando tentei ter, fui tido idiota (abnegação) ou bipolar (escolha).
Dentre elas, e sobretudo delas, a quem não posso me referir, foi a mais radical. Elas que se iludem comigo. Sou útil, sou diferente; me posiciono, sou igual. Querem de mim o que não posso dar, ou mesmo a quem resolvo dar algo, a mão é de via única.
Engraçado aconselhar com convicção alguém para tratamento psicológico. Todas elas me mandaram! Tivessem 10% das preocupações que tenho, fora meus escritos e trabalho, muitas delas somatizariam em poucos meses. A preguiça e aborrecimento nem me permitem detalhar.
Aí vem os julgamentos pelo que eu escrevo. Parte de mim é a presença do olhar. Parte de mim é a interpretação da palavra. Se sou algo presente e ao vivo, a palavra escrita me dá a pausa necessária para escolher as vírgulas, a sonoridade e os efeitos na imaginação de quem lê. Olha. Sou danado.
A todas vocês, e tenho enorme vontade de dar nome, convenhamos, tratamento psicológico precisa quem não sabe bem o que quer, ou quer entrar na minha alma, fazer morada, com a sua mobília. Eu tanto sei o que quero que de imediato deixo claro que compartilho meu quintal.
Uma é enrolada e tem medo, apesar da idade; a outra se apaixonou perdidamente sabendo que somos pais de muitos filhos, ela com os dela e eu com os meus; a outra com quem vivi tantos anos, sofre de 'ódio patológico' e perdeu o pai, ou seja, a mim mesmo; a outra não entende que eu não queria viver a mesma vida dos meus últimos quinze anos, que seria meu destino se ficássemos; uma outra queria me convencer que eu estava apaixonado por ela e chorava deseperada; e tantas outras que querem ser minhas salvadoras emocionais da solidão delas. Por Deus! O que quero são leitores e espaço literário e minhas palestras para pessoas que precisam. Dentre elas, todas elas.
Tenho alguns conhecidos psicólogos que me admiram. São mais silenciosos comigo porque visualizo mais intimamente a alma deles. Teve uma conhecida que me disse algo bacana do tipo "sua vida externa é compatível com as emoções internas; se você não sentisse isto, então você teria um grande problema." Ela sabe o que falava.
Imaginem só. Se uma delas ler este texto, serão as mesmas coisas, os mesmos discursos, as mesmas palavras que me assustam. É prototípica a estrutura. Me assusta. De verdade.
Enfim, minhas lindas, fui poeta na fase bem difícil de minha vida: péssimo poeta; decorreram os anos, as histórias me roubaram a imaginação e escrevi contos; na fase adulta, primeira meia idade, vem as reflexões; e agora, daqui a pouco, meu primeiro romance de muitos outros. Aliás, dentre eles, tem um que será bem bacana cujo título já tenho "Destilando Rancor e Mágoa". Toda esta experiência, depois de separado, e esta maluquice, virará um belíssimo romance. Ao terminar de escrevê-lo e lê-lo, cada alma feminina se olhará no espelho e, reflexiva, perceberá que elas somente querem machucar para não gritar. Depois sofrem em silêncio até superar dentro de seu amor próprio e orgulho.
Sou tudo neste mundo, menos ingênuo. Ingênuo jamais. Há ainda mulheres que me olham como escritor e um bom escritor. Não deixam seus sentimentos por mim interferirem. Estas amam o que eu escrevo. Separam o homem do escritor. Ponto final.
Para todas: believe in yourself and never give up. I gave up.
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