Quando sai, sobram as agressões
Toc. Toc. Toc.
- Quem é?
- Sou eu.
- Quer entrar?
- Sim.
- Mereça então. A casa é acolhedora demais. Vai criar dependência. Mas sei que quando tiver de sair dela, sua única defesa emocional será falar mal. Vai dizer que ela é horrível, tem goteiras, tem rachaduras, pintura descascando, canos entupidos, cheiro de mofo, sem alma humana e seres viventes nela.
- Como você sabe?
- Porque somente sai daqui quem não merece mais ficar. De raiva e vingança, a pessoa prefere desfazer-se dos momentos de acolhimento. Que não são poucos.
- Deixe-me entrar. Serei diferente.
- Você não será não. Será como as outras pessoas, cheias de racores, quando partir. Portanto, faça o mínimo para permanecer. Não exijo muito. Aliás, geralmente me comporto como empregado em minha própria casa. Faço as honras de cuidar. As pessoas não entendem de tão acostumadas que estão com a falta de amor
- Verdade.
- Verdade. Agora preciso fechar. Já me encheram muito o saco.
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