"Parecia ler a mente dos pacientes e conhecer intuitivamente todos os seus medos e esperanças. Observava seus movimentos e atitudes como um diretor de teatro observa seus atores. (...) ...mostrava o quanto ele observava e entendia antes mesmo de fazer um exame neurológico, antes mesmo que o paciente abrisse a boca."
Oliver Sacks sobre o Dr. Micheal Kremer.
Sou uma pessoa bastante intuitiva. Em alguns momentos, eu mesmo coloco em dúvida a minha humildade em troca de minha arrogância e prepotência.
Paradoxalmente, quem eu amo e quero ao meu lado é quem mais sente minha prepotência e arrogância. Abro meu coração. Pronto. Tenho minhas razões íntimas.
Quando compartilho minha forte intuição e ela começa a fazer parte da rotina da pessoa, incrivelmente eu contagio. Por um processo incrível do inconsciente, ambos entram em sintonia. Ambos aprendemos uma comunicação invisível, mais clara do que a oral.
De fato, de modo prepotente, liberto qualquer repressão e opressão. Eu dialogo abertamente o que sinto e o que sou em minha percepção de mundo. Fico agradável e suavemente apaixonante. Suavidade na essência, desde que toleremos nossas superfícies; apaixonante no convívio, desde que toleradas as altas cargas emocionais que a dor e sofrimento humanos me causam. Sim, o sofrimento humano me compadece.
Ao mesmo tempo, sinto um pouco de vergonha de sentir sem nada poder fazer. O artista deve ir através desta linha imaginária, mas totalmento sincero e preparado para as condenações do gosto de quem não tem acesso a ele. Todo artista é um incompreendido.
Sou um daqueles professores intuitivos. Falo com naturalidade a respeito de assuntos bem delicados como "aspectos fisiológicos da fala" e "desinências verbais" como se ensinasse as letras "a", "e", "i", "o", "u" para altamente especializados.
O equilíbrio entre o que ensino e o que eles assimilam está na minha intuição, no jogo de saber como jogar, no poder de me enxergar no ponto de vista dos alunos que precisam aprender. Creio ter bastante êxito como professor, palestrante e escritor. Oito de cada dez alunos, seguramente assimilam. Uma estatística meramente intuitiva e observável. Um troca.
Ao ler a percepção do médico Oliver Sacks a respeito do Dr. Kremer e sua forte intuição, eu fico bastante tranquilo quanto a mim mesmo. Claro que ser diferente entre iguais faz que todos sejamos comuns. Já disse: sou igual, mas não comum. Quando desviamos do padrão de nosso comportamento, somos consideramos anormais, sofremos pela dificuldade de estabelecer relações normais, ou melhor, comuns. As relações ficam mais ou menos assim: você atrai as pessoas pela admiração e elas se afastam de você (ou o contrário) pela prepotência.
Ser intuitivo é algo que não se controla. Nem se reprime. Quem convive comigo percebe quão natural o é. Ler os detalhes das curvas são significativas quanto o todo da forma acabada. A arte são curvas sobrepostas por curvas. O artista uma linha perdida cheio de intuição. Viva com um. Tolere um. Acolha um. Ele precisa.
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